quarta-feira, 8 de julho de 2020

'Perdemos pessoas próximas, não é hora de incentivar aglomerações', diz dono de bar que não reabriu mesmo com aval da prefeitura de Natal

Bar fica às margens da praia de Ponta Negra — Foto: Reprodução
Bar fica às margens da praia de Ponta Negra — Foto: Reprodução
Alguns restaurantes e praças de alimentação decidiram não reabrir as portas em Natal, mesmo com a autorização da prefeitura que permitiu a retomada gradual das atividades econômicas na capital potiguar. A primeira fração da abertura do comércio começou no dia 30 de junho. O funcionamento de bares, restaurantes e serviços alimentícios foi autorizado a partir de terça-feira (7).
Os comerciantes temem uma nova onda de aumento de casos de Covid-19, o que causaria um possível novo fechamento. Parte desse grupo de empresários enxerga a situação com prudência para avançar na flexibilização dos serviços sem pôr em risco os investimentos já feitos.
É o caso de Paulo Minnemann, proprietário de um surfe bar na praia de Ponta Negra em Natal, que também atua na venda e fabricação de pranchas, além de oferecer aulas do esporte. O empresário conta que é sensível aos comerciantes que precisaram reabrir os estabelecimentos, mas decidiu aguardar para saber se avança na reabertura do espaço físico.
"A gente não tem certeza de muita coisa. Sabemos que existe uma subnotificação de casos, que a doença continua se espalhando pelo estado e que os leitos continuam cheios, então decidimos que não era o momento. Perdemos algumas pessoas próximas para a Covid-19 e sentimos que não é a hora de incentivar que as pessoas saiam às ruas e provoquem aglomerações", conta Minnemann.
O surfe bar de Paulo está fechado e parado há três meses. Segundo o empresário, o estabelecimento se mantém com as vendas de pranchas durante a pandemia. "A gente não optou pelo delivery porque oferecemos a experiência completa e não teríamos como entregar isso. Em geral, nossos pratos são crustáceos que precisam ser servidos frescos e não conseguiríamos oferecer a qualidade dos produtos aos clientes. Seria um investimento alto para um retorno muito baixo", diz.
O bar possui ponto próprio e um quadro "enxuto" de funcionários, que precisaram ser afastados. "Fizemos isso em respeito a eles porque temos essa responsabilidade e os salários estão sendo pagos com a ajuda do governo. Estamos nos virando com as nossas economias, demos um passo atrás e conseguimos reduzir os custos em um quinto. Entendemos que cada caso é um caso, mas nós decidimos esperar para abrir com segurança", afirma Amanda Pereira, gestora do Minnemann Surf.
O empresário Thiago Guerreiro, proprietário da doceria Mr. Cupcake, localizada em Candelária, foi outro que também decidiu aguardar para reabrir.
"A gente vem se baseando mais nas recomendações da saúde, em relação a quantidade de leitos disponíveis para reabrir ou não. Entendemos quem precisou reabrir, mas decidimos aguardar mais 15 dias porque o investimento é alto para se preparar com todas as recomendações sanitárias e também porque investimos no delivery", comenta Thiago Guerreiro.
Doceria fica no bairro de Candelária — Foto: Cedida
Doceria fica no bairro de Candelária — Foto: Cedida
A doceria de Thiago está fechada desde a segunda quinzena de março e desde então começou a investir na implantação do serviço de delivery. A queda na arrecadação foi de quase 100% nas primeiras semanas da pandemia, mas as vendas aumentaram com os pedidos online, segundo o proprietário da empresa.
"Também por isso que a gente aguarda mais um pouco para reabrir. Além de não nos sentirmos seguros por achar que a situação é grave, a gente investiu no delivery e vem observando uma boa procura dos clientes. Também estamos vendendo online e entregando no estabelecimento. Foram uma série de adequações", conta Guerreiro.
Além do surfe bar Minnemann Surf e da doceria Mr. Cupcake, outros estabelecimentos decidiram não abrir a partir da terça-feira (7) e anunciaram a decisão pelas redes sociais. São eles: Mazzano Restaurante e Pizzaria, Gennari Culinária Italiana, Cascudo Bistrô e Manary Praia Hotel.
Reabertura
O prefeito de Natal, Álvaro Dias, decidiu manter a retomada das atividades econômicas da capital potiguar conforme previsto no decreto municipal. Na terça (7), o governo do Estado suspendeu a segunda fração da retomada das atividades no RN que teria início na quarta (8) por causa da alta taxa de ocupação de leitos de UTI que chegou a 89,11% esta semana.
Na terça (7), Natal amanheceu com lanchonetes, restaurantes e parques de alimentação abertos após o fechamento dos estabelecimentos para conter a pandemia de Covid-19. A reabertura ocorreu com base na segunda fração do plano de retomada das atividades econômicas publicado em decreto municipal.
Nesta quarta-feira (8), a prefeitura de Natal autorizou o funcionamento de shopping centers para vendas no sistema drive-thru e também a reabertura de igrejas e templos religiosos.

Fonte: G1 RN

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