terça-feira, 2 de junho de 2020

Professora perde 17 kg em internação por Covid-19: 'pensei que iria morrer'

Professora passou mais de 40 dias internada em hospital em Santos, SP — Foto: Arquivo pessoal
Professora passou mais de 40 dias internada em hospital em Santos, SP — Foto: Arquivo pessoal
"Quando sai do hospital achei que tinha perdido 10 kg, mas fui me pesar e vi que, na verdade, perdi 17. Foram muitos os dias ali em que eu achei que iria morrer", conta a professora Margaret Pereira Valente, de 50 anos, sobre ter sido infectada pela Covid-19 em Santos, no litoral de São Paulo.
Ela, que é professora de Educação Especial e de Libras, afirma que a doença mudou toda sua perspectiva de vida. Foram mais de 20 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e outros 20 dias na enfermaria após contrair o novo coronavírus.
No dia 23 de março, Margaret relatou que sentiu falta de ar, cansaço e teve tosse e enjoos. Diabética, hipertensa e com asma, rapidamente ela procurou um hospital, mas não pensou que seria a Covid-19. Ao chegar no Pronto Socorro, a médica a examinou e receitou um remédio, a liberando para tratamento em casa. Até então, ela não havia recebido o diagnóstico para o vírus.
"Dia 28 de março eu voltei ao hospital, aí já estava com a falta de ar muito forte, pressão alterada e diabetes altíssima, em 450 mg/dl. Fiquei direto na inalação, tomando remédio na veia. A diabetes não baixava mesmo com a medicação. Eles me levaram para fazer raio-x e, quando os médicos viram o resultado, já fui internada. Tudo isso no mesmo dia", relata.
A professora afirma que ficou no hospital e, imediatamente, a colocaram no oxigênio, mas no outro dia estava ainda pior. Foi então encaminhada para o Hospital dos Estivadores, onde permaneceu durante todo o tratamento.
Foram 23 dias na UTI. Ela permaneceu consciente e apenas fazendo uso da máscara da oxigênio e cateter. "Fui para a enfermaria dia 20 de abril onde fiquei por mais 20 dias. Lá mesmo, na UTI, uma semana antes de sair, já estava sem a máscara e só com o cateter. Na UTI tomava cerca de cinco tipos de antibióticos. Tive falência dos rins. Algo mexeu na minha parte motora, até para voltar a escrever tive muita dificuldade", relembra.
"Tive momentos muito difíceis lá dentro. Achei que não iria sobreviver. Eu só pensava em como queria viver. Minha família levou a bíblia e me entregaram lá na UTI. Muitas técnicas de enfermagem oravam pela minha saúde e me diziam: você vai sair dessa. Todos os dias batia a ansiedade, pois eu não podia ver minha família e não sabia quando e se sairia dali. Tive muitos sentimentos de morte. Tomava injeções todos os dias e insulina. Tive depressão, dias que não quis comer nada".
Segundo Margaret, o tratamento e o carinho que recebeu durante esse tempo no hospital fizeram com que ela quebrasse um preconceito. "No começo tive preconceito em estar no hospital público por ter convênio, mas percebi o ótimo atendimento e a importância do SUS. Fui muito ignorante e preconceituosa ao pensar assim. Depois que vi todo o amor e esforço da equipe, minha opinião se transformou. Tinha um dia que eu estava desanimada e a enfermeira me deu comida na boca, ela dizia "você não pode desistir". Eles [equipe do hospital] fazem tudo por nós", diz emocionada.
Margaret chegou a se sentir com a mente confusa durante os dias de internação e recebeu atendimento psicológico por meio de um robô, que levava um tablet até ela, onde se conectava com a psicóloga de maneira virtual. Além disso, chegou a fazer um experimento com uma nova máscara.
"Sai dia 4 de maio do hospital. E diria que aquele foi o dia do recomeço. Ter a doença mudou toda a minha vida. No hospital eu refletia muito em como damos valor para coisas fúteis. Pensava no meu gurda-roupa, em quantas diversas roupas e sapatos eu tinha, e que aquilo não significava nada perto da importância da minha vida. É impossível passar por uma situação dessa e não pensar diferente. É impossível não pensar em quantas coisas inúteis mantemos nas nossas vidas. É impossível sair dessa e não mudar sua vida, dar valor as coisas que realmente importam, as pessoas que realmente te amam".
Agora, a professora mudou os hábitos alimentares e iniciou a prática de exercícios físicos. "As pessoas precisam acreditar que a doença está aí e precisam se cuidar. Aprendi muito. Eu, obesa, vivia de hambúrguer, lanches e pizza. Agora cortamos tudo isso. Não dá para continuar sendo a mesma pessoa em nenhum sentido, seria ser muito ignorante e não valorizar a vida. Agora só vivemos de legumes, salada e proteína. No final, sou muito grata por ter vencido a doença e ter tido a chance de recomeçar", conclui.

Fonte: G1 Santos

Nenhum comentário:

Postar um comentário