quarta-feira, 29 de abril de 2020

Ministro diz que não sabe quando será pico da Covid-19 e que segunda onda é possibilidade real

O ministro da Saúde, Nelson Teich Foto: Jorge William / Agência O Globo
O ministro da Saúde, Nelson Teich Foto: Jorge William / Agência O Globo
O ministro da Saúde, Nelson Teich, disse não saber quando será o pico da epidemia causada pelo novo coronavírus no Brasil e que a possibilidade de uma segunda onda da doença é "real".
- Quando é que vai ser pico? Não sei e ninguém sabe. Um dos grandes problemas de se definir uma data é que aquela sugestão se transforma em promessa de um dado real. Quando aquilo não acontece, todo mundo começa a se perguntar se a gente não está fazendo algo errado apenas porque não deu certo a data - afirmou o ministro em audiência virtual do Senado Federal.
Indagado sobre se o Brasil corria o risco de uma segunda onda da Covid-19, Teich disse que os dados sobre a doença ainda são incipientes e que ainda não há dados suficientes para garantir que pessoas que já foram infectadas uma vez não poderiam ser infectadas novamente pela doença.
- (Incertezas sobre os dados) O que te deixa em alerta para a possibilidade de uma segunda onda. Ela é real. Outro dado importante é que já existem relatos isolados de pessoas que tiveram a doença duas vezes. O que não garante nem que você ter o anticorpo seja correto - afirmou o ministro.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem 78.162 casos de Covid-19 e 5.466 mortes.
Teich afirmou que o país nunca passou por "tantos grandes problemas".
- A gente nunca teve tantos grandes problemas ao mesmo tempo, tendo que ser enfrentados pelas lideranças que são ministérios, estados, cidades, Câmara e Senado. É um momento histórico de união do país. E para mim é uma honra poder estar participando disso - disse Teich.
O ministro destacou que um "ponto crítico" hoje é a falta de respiradores no país e deu a entender que esses e outros recursos podem ser remanejados, futuramente, para locais que registrarem avanço da doença.
- Se a evolução (da doença) no país não for homogênea, a gente tem a possibilidade de no futuro ir remanejando os recursos para capacitar os lugares a cuidar da pessoas - disse o ministro.
Ele disse que, a partir de agora, a distribuição de equipamentos necessários para enfrentar a doença deixará de ser linear, com base em tamanho da população ou rotina de repasses, e priorizará os locais mais afetados. A diretriz já havia sido mencionada pelo novo secretário-executivo da pasta, Eduardo Pazuello, em entrevista coletiva nesta semana.
- Não há crítica à política adotada até então, mas a partir de agora, de posse de informações atualizadas de estados e municípios, percebendo os distintos perfis de comportamento da doença por região bem como o padrão de evolução da epidemia em cada localidade, definimos que nossas ações devem ser pautar por distribuição não linear de insumos e de meios_disse Teich, acrescentando:
- O que definirá é a prioridade de socorro a estados e municípios, a partir da situação vivenciada pelo ente da federação.
Teich ressaltou, após questionamentos de parlamentares, que apesar da prioridade aos locais mais críticos, as demais áreas também estão sendo monitoradas pelo ministério.
- Nos lugares onde a doença está numa situação mais crítica, iremos atuar, mais forte, direto. Nos lugares onde existe uma menor quantidade da doença, ou não existe, está sendo monitorado. Se começarmos a ver algum indício de que aquilo vai evoluir, vamos atuar. 
Declarações de Bolsonaro
Ao responder questionamentos de senadores sobre declarações e atos do presidente Jair Bolsonaro em relação à Covid-19, Teich disse que não comentaria o "comportamento", mas afirmou que o chefe está preocupado com as pessoas e que foi esse o motivo pelo qual aceitou o convite para a pasta. 
- Eu não vou discutir aqui o comportamento. Mas posso dizer que ele (Bolsonaro) está preocupado com as pessoas, com a sociedade. O alinhamento é nesse sentido. Quando fui chamado, aceitei porque existe um foco total em ajudar a sociedade, as pessoas. Tenho certeza que é a preocupação do presidente. Fui trazido por causa disso.

Fonte: O Globo

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