terça-feira, 17 de março de 2020

Estado de SP investiga se outras quatro mortes foram causadas por coronavírus

Estação do Metrô Pinheiros, em São Paulo, vazia na manhã desta terça-feira (17) em meio a medidas do governo do estado e da prefeitura da capital para reduzir a circulação de pessoas  — Foto: Laís Modelli/G1
Estação do Metrô Pinheiros, em São Paulo, vazia na manhã desta terça-feira (17) em meio a medidas do governo do estado e da prefeitura da capital para reduzir a circulação de pessoas — Foto: Laís Modelli/G1
O governo de São Paulo registrou a primeira morte por coronavírus no Brasil na manhã desta terça-feira (17) e investiga se outras quatro mortes também foram provocadas pela doença. Todas as vítimas, inclusive o morto por coronavírus, estavam internados na mesma rede hospitalar, no entanto, não foi informado se estavam na mesma unidade.
“Infelizmente o ocorrido foi o primeiro óbito aqui. Um homem morador de São Paulo internado num hospital privado e o diagnóstico de coronavírus foi feito também por um laboratório privado. Ele veio a óbito ontem 16h03 e não tem histórico. Fomos informados oficialmente hoje às 10h. Existem quatro outros óbitos neste mesmo serviço particular que estão sendo investigados. Assim que tivermos informações sendo ou não coronavírus vamos informá-los”, afirmou o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contigência de combate ao coronavírus.
Segundo o infectologista, a vítima teve os sintomas no dia 10 de março, sendo internada quatro dias depois, dia 14, e morreu nesta segunda-feira (16). Como a doença no paciente foi constatada somente na noite desta segunda, provavelmente, o caso não foi contabilizado no balanço oficial.
"Provavelmente, não está na contagem. Outra coisa que eu quero dizer para vocês, corre, que não há transparência nos dados quantitativos, isso não é verdade, nós estamos informando absolutamente tudo o que acontece? Muitas vezes o laboratório que está fazendo o exame tem positivo então tem um sistema, na hora que tem positivo ele comunica as instâncias superiores até que acaba em um relatório do estado que vai dar no Ministério. Então, acaba o diagnóstico e o dado da vigilância epidemiológica, tem um tempo até isso. Este caso especifica muito. Nós fomos informados hoje oficialmente e o diagnóstico, segundo a informação que nós recebemos, ocorreu ontem à noite não deve constar no número de casos do estado”.
Ele tinha histórico de diabetes e hipertensão, além de hiperplasia prostática — um aumento benigno da próstata que não é uma doença, mas uma condição comum em homens mais velhos que pode causar infecções urinárias. O homem não tinha histórico de viagem e teve transmissão comunitária.
"Infelizmente, os óbitos são esperados do ponto de vista de postura, mas temos que trabalhar, foi uma evolução rápida, da internação ao óbito", declarou Uip. Ele disse que vai sugerir ao governo federal a mudança do tempo de quarentena de 14 para 10 dias. “O caso desse paciente está fazendo a gente entender como se comporta a doença. Nós imaginávamos que o período de encubação da doença era de até 14 dias, mas a média está sendo de 6 a 8 dias até a doença se manifestar. Vamos inclusive sugerir ao Ministério da Saúde que diminua o tempo de quarentena de até 14 dias para dez.”
"Temos que repensar cada vez mais as medidas de prevenção, principalmente por se tratar de um óbito comunitário", afirmou José Henrique Germann, secretário estadual da Saúde.
O coordenador do Centro de Contingência disse o grupo de combate ao coronavírus estuda a possibilidade de aumentar o número de testes "entendemos que é adequado ampliar o centro de diagnóstico, avaliar esta possibilidade."
Na tarde desta terça, o estado de São Paulo contabilizava uma morte e 162 pacientes infectados em outo municípios. Do total de doentes, 154 estão na capital paulista e o restante na Grande São Paulo. No Brasil, eram 314 casos de contaminação.
Casos Graves
De acordo com o governo, atualmente, há cerca de 30 pacientes graves no estado de São Paulo.
"De forma geral, ele segue aquele padrão que o doutor David Uip já disse, se nós temos 160 casos confirmados no estado, 80% são leves e 20% são pessoas que precisaram ser internadas. E, dessas, um quarto, representando 5% do total, são casos mais graves. Então, de 160 a gente tem cerca de 30 no estado", disse Paulo Menezes, da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde.
"Esta pandemia afetou em um primeiro momento a rede privada. Isso já era esperado porque são indivíduos que vem de outros países. Nós não temos nesse momento o número de graves porque estão em hospitais privados", explicou Uip.
O governo de São Paulo avalia que o surto de coronavírus deve durar "de quatro a cinco meses". No entanto, as medidas restritivas adotadas pela administração estadual, como a suspensão das aulas e a restrição de eventos (leia mais abaixo), não devem ser aplicadas durante todo este período.
Estado de emergência na cidade de SP
Nesta terça-feira, foi publicado no Diário Oficial da cidade de São Paulo decreto de estado de emergência, que permitirá à Prefeitura requisitar bens e serviços de pessoas naturais e jurídicas, com pagamento posterior de indenização justa.
Isso significa dizer que a Prefeitura poderá, por exemplo, exigir dos fabricantes de álcool em gel que vendam o produto à administração pública a “preço justo”, em caso de falta. O decreto de emergência também autoriza a dispensa de licitação para aquisição de bens e serviços destinados ao enfrentamento da emergência.
Foram impostas, ainda, uma série de medidas para restrição da circulação de pessoas na capital paulista e no estado. As aulas nas escolas municipais e estaduais estão sendo suspensas, de forma gradual, desde o início da semana e devem ser totalmente interrompidas até sexta-feira (20). A suspensão também ocorre em escolas particulares e universidades.
O governo estadual determinou o cancelamento de eventos públicos estaduais, independentemente do número de pessoas. A Prefeitura de São Paulo deverá suspender o alvará para grandes eventos, que já estão sendo cancelados e adiados.
Funcionários públicos com mais de 60 anos, com exceção dos que atuam nas áreas de Segurança e Saúde, irão trabalhar de casa. A Prefeitura de São Paulo recomendou que os idosos, acima de 60 anos, evitem usar o transporte público para evitar o risco de contaminação e proliferação da doença. A administração municipal também restringiu o número de pessoas presentes nas salas dos velórios a partir desta terça, serão permitidos somente dez pessoas por vez.
As medidas mudaram o cenário da cidade de São Paulo, que tinha poucos carros e pedestres nesta segunda e na terça-feira. Às 8h desta terça, as ruas da cidade estavam vazias e o índice de lentidão estava bem abaixo da média. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), às 7h havia 7 quilômetros de congestionamento na cidade, quando a média varia entre 25 e 39 quilômetros.
Reavaliação de testes laboratoriais
Ainda na segunda-feira, o governo estadual informou que "vai avaliar" a nova recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para que todos os casos suspeitos do novo coronavírus sejam submetidos a exames laboratoriais. A afirmação foi feita pelo secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann.
Na sexta-feira (13) o governo de São Paulo havia anunciado que somente pacientes internados seriam submetidos ao teste laboratorial na rede pública e que o diagnóstico clínico seria adotado para outros casos suspeitos.

Fonte: G1 SP

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