terça-feira, 10 de setembro de 2019

“É cedo para dizer o motivo, mas médico foi executado”, diz delegado

“Foi um crime de execução. O alvo dos criminosos era o médico. Mas ainda é cedo para dizer a motivação”. A afirmação é do delegado regional de Santa Cruz, Jaime Groff, responsável pela investigação das mortes do médico Cícero Edvaldo Nogueira Carvalho, 40 anos, e da empresária Oleciandra da Silva, 43, ocorridas na noite da segunda-feira (9) em Jaçanã, distante 147 quilômetros de Natal.
Por volta das 19h, a academia estava lotado de alunos quando quatro homens encapuzados invadiram o estabelecimento e atiraram várias vezes no médico, que também já foi candidato a vice-prefeito no município. De acordo com o delegado Jaime Groff, a dona da academia foi atingida porque estava na mesma direção do alvo. “Ela foi morta com o tiro e porque estava na linha de frente. Não houve infarte como foi cogitado inicialmente”, explicou Groff.
O delegado afirmou que a polícia está recolhendo as primeiras informações. “Fomos ao local do crime e foi relatado que a vítima pulou do primeiro andar da academia para fugir dos criminosos. Estamos colhendo imagens de câmeras de segurança, de testemunhas e dados técnicos do Itep. Surgem várias especulações, mas é muito cedo”, ressaltou.
Um vídeo que foi divulgado nas redes sociais do médico e outros clientes da academia minutos antes do atentado também será analisado pela polícia. O veículo Ecosport usado pelos criminosos foi encontrado queimado a 3 km da cidade de Jaçanã.
Médico era muito querido e não relatava ameaças, diz esposa
O médico Cícero Edvaldo Nogueira Carvalho, 40 anos, foi para a academia na noite de segunda como costumava fazer pelo menos duas vezes por semana. Com a rotina de trabalho agitada, Cícero atendia pacientes não só em Jaçanã, mas também em Coronel Ezequiel, e em Cuité e Coronel Ezequiel, na Paraíba. Por isso, segundo a família, ele frequentava a academia às vezes pela manhã cedo e outras à noite.
Cearense natural de Jati, Cícero Edvaldo morava havia 13 anos em Jaçanã, onde se candidatou a vice-prefeito nas eleições de 2016. Casado pela segunda vez e pai de três filhos, ele era muito querido na cidade, não relatava desentendimento e nem que estava sofrendo ameaças, de acordo com familiares.
Na noite de segunda, às 18h48, ele fez um contato com a família por WhatsApp, minutos antes do atentado. O médico ainda tentou fugir pulando da academia e morreu no telhado da farmácia ao lado.
O corpo de Cícero foi liberado do Itep-RN em Natal no início da tarde desta terça-feira (9) e será velado no ginásio de Jaçanã. Em seguida será levado para a cidade de Jati (CE), onde será sepultado.
“Minha filha estava trabalhando honestamente e acabou morrendo”
“Ainda estou sem conseguir entender, nem explicar a violência, a falta de amor ao próximo. A minha filha estava trabalhando honestamente e acabou sendo morta”. Essas foram as palavras de Maria de Fátima, mãe de Oleciandra da Silva, 43 anos, dona da academia morta. A empresária mais conhecida como Sandra, era casada, mãe de dois filhos e tinha um neto.
Maria de Fátima disse que falou com a filha na noite de segunda meia hora antes dela ser morta. “Ela ligou para mim lembrando que eu tinha que tomar um remédio e disse que não iria lá em casa porque iria tomar um banho para ir para academia trabalhar. Depois meu vizinho ligou perguntando se eu sabia do tiroteio na academia”, relatou a mãe de Sandra.
Sandra e uma cliente da academia foram atingidas durante o atentado contra o médico. A dona da academia chegou a ser socorrida, mas já estava sem vida. A outra mulher ferida está internada em um Hospital em Campina Grande (PB). Ela está com uma bala alojada no antebraço.

Fonte: OP9/RN
 

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